Túnel do autoconhecimento

Do reencontro com o lado escuro que habita a alma nasce o perdão a si mesmo.
A compaixão cega por si mesmo e pelo outro cria um embate interior que enraíza o gatilho da dor. A linguagem subjetiva mistifica a significação espiritual de compaixão e conduz o indivíduo a certezas mascaradas pela compreensão inexata, contraditória de seu real conceito.
O indivíduo adentra o túnel escuro da racionalidade e se depara com o medo. Assustado, nega-se a seguir adiante, mesmo com a clareza que a consciência tem de estar indo ao encontro da luz, já que todo túnel possui uma saída; é apenas uma passagem que conecta dois espaços, dois estados – inconsciência e consciência.
A entrada no túnel exige uma entrega ao desconhecido, a princípio, que só se desvela conhecido durante uma determinada permanência na escuridão. Acessar o ponto de conforto dentro do desconhecido é o primeiro passo para o autoconhecimento.
Ao encarar o primeiro obstáculo, o medo, o limite da razão se projeta como um muro instigante que convida o indivíduo a pelo menos escalá-lo. Sobre o muro alcança sua primeira conquista e é presenteado com a possibilidade de observar todos os pontos visíveis (tanto os fortes quanto os vulneráveis), bem como, um capitão diante do mar.
A partir da observação silenciosa, o conhecimento interno de si passa a se constituir e o pertencimento da decisão sobre que lado seguir passa a ser da consciência. Um olhar abrangente se expressa e o princípio da relatividade se aplica (todo visível é levado em consideração).
A pausa ocupa seu espaço dentro do túnel escuro e o indivíduo passa a respirar… de fato. O fator inibidor já não está mais presente e a escuridão aconchega o ser essencial em seu ninho, sua origem, seu lugar conhecido e seguro. A consciência e a inconsciência se “intimizam” (tornam-se íntimas), envolvem-se e iniciam um trabalho conjunto para que a evolução consciente do ser aconteça (É importante ressaltar que tudo que não evolui conscientemente, degenera).
Há sempre uma pitada de luz no fim do túnel e é lá que mora a nova realidade. A passagem pelo túnel é de primordial importância, sem ela sobram apenas degeneração ou destruição.
O túnel é o lugar do autoconhecimento. É lá que o processo inicia sua materialização. Fugir dele é como fugir de si mesmo… é afastar-se do renascimento.
“Nasce o dia… vem a noite
Os olhos se fecham, o escuro nos adentra
É seguro, confortável, acolhedor
Tempo de silenciar
Pausar, descansar
O folego se instaura
O ciclo é diário
O movimento se repete
A luz e a escuridão se diluem
Uma na outra
Numa passagem lenta
Frequencial”
A vida cotidiana acompanha esse movimento, talvez numa outra frequência, mas sempre entre a noite e o dia, a escuridão e a luz, a tristeza e a alegria, a doença e a saúde, as dificuldades e as conquistas, a inquietação e a serenidade… a morte e a vida.
Uma senóide sem fim!
A conexão é evidente, os túneis diários e a escuridão o ninho…
Entregue-se a ela, aninhe-se, atravesse o túnel e acenda a luz.
É aí que mora o autoconhecimento!
Sugiro a leitura do texto TEOR DA COR de minha autoria publicado no Blog Veia Cilíndrica.