Como se livrar da dependência emocional? a Psicanálise pode ajudar!

A dependência emocional na Psicanálise é um tema relevante para a saúde mental e o bem-estar emocional das pessoas envolvidas.
Compreender seus padrões de relacionamento e buscar a autorreflexão são passos essenciais para alcançar relacionamentos mais equilibrados e satisfatórios, permitindo que cada indivíduo desenvolva sua própria identidade e independência emocional.
Sou Lourdes Maria Rivera, terapeuta psicanalítica Guia da Alma. Boa leitura!
- Leia também: Psicanálise freudiana: como pode nos ajudar a ter uma vida mais saudável?
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Índice
- O que é dependência emocional? Significado!
- Como saber se tenho dependência emocional? Teste de Dependência emocional: sintomas e sinais!
- Teste de dependência emocional
- Dependência emocional e Psicanálise: causas
- Como se livrar da dependência emocional?
- Filmes e livros sobre dependência emocional
- Psicanálise e dependência emocional: como pode ajudar?
O que é dependência emocional? Significado!

Foto: Paolo Cordoni – istock
Falando de maneira bem simplificada, a dependência emocional envolve uma forte ligação emocional e psicológica de uma pessoa em relação a outra, manifestando-se na maioria das vezes em relacionamentos amorosos, mas também pode ocorrer em relação a amizades, familiares ou até mesmo em relação ao trabalho ou a um objeto.
A expressão da dependência emocional acontece através de uma excessiva necessidade de afeto, aprovação, validação ou atenção da pessoa por quem se desenvolveu a dependência. Isso leva a um desequilíbrio na relação.
Por que? Porque a pessoa dependente coloca o outro no centro de sua vida, perdendo a sua própria identidade e autonomia, tornando-se submissa e carente em busca da satisfação emocional.
Essa busca por atenção e aceitação pode levar a um ciclo vicioso de comportamentos negativos, prejudiciais e até autodestrutivos.
Veja: é praticamente impossível falar em dependência emocional sem falar em amor.
Do ponto de vista psicanalítico podemos dizer que o amor sempre tem um componente narcísico porque não amamos o outro simplesmente pelo que o outro é, mas principalmente pelo que admiramos nele que é parecido conosco.
Na verdade, o que amamos é o efeito que aquela pessoa provoca em nós.
Nesse sentido, a dependência emocional funciona parecido com a dependência em substâncias que, da mesma forma, provocam um determinado efeito em nosso corpo. Em geral, os efeitos são nocivos, como veremos adiante.
Tipos de dependência emocional
- Dependência emocional em relacionamentos amorosos: aqui, a pessoa coloca seu parceiro(a) como centro de sua vida e busca constantemente a aprovação e validação dele(a). Ela pode se sentir ansiosa, insegura e com medo de ser abandonada, o que pode levar a um apego emocional excessivo;
- Dependência emocional em amizades: neste tipo, a pessoa pode evitar tomar decisões importantes sem a opinião dos amigos e se sentir perdida ou vazia quando não está na companhia deles;
- Dependência emocional em familiares: esse tipo de dependência se manifesta quando a pessoa se torna excessivamente dependente de um ou mais membros de sua família, buscando constantemente sua aprovação e afeto. Pode, da mesma forma, ter dificuldade em tomar decisões importantes sem a orientação dos familiares e se sentir mal quando não está perto deles;
- Dependência emocional no ambiente de trabalho: nesse caso, a pessoa pode desenvolver uma dependência emocional de um colega de trabalho ou de seu chefe. Ela pode sentir que precisa da aprovação e reconhecimento constante dessas pessoas para se sentir valorizada e competente;
- Dependência emocional em relação a objetos: esse tipo de dependência ocorre quando a pessoa se apega emocionalmente a objetos materiais. Ela pode sentir que esses objetos são essenciais para sua felicidade e segurança emocional;
- Dependência emocional em relação a substâncias: nesse tipo de dependência, a pessoa busca refúgio emocional em substâncias, como álcool, drogas ou medicamentos, para lidar com seus sentimentos e emoções.
Como saber se tenho dependência emocional? Teste de Dependência emocional: sintomas e sinais!

Foto: FG Trade – istock
Lembre-se de que um teste como esse é apenas uma ferramenta inicial e não substitui uma avaliação profissional.
Se você estiver enfrentando dificuldades emocionais ou perceber que a dependência emocional está afetando negativamente sua vida, considere agendar uma consulta comigo para um acompanhamento mais aprofundado.
Dependência emocional e Psicanálise: causas

Foto: KatarzynaBialasiewicz – istock
Essas razões são inúmeras e complexas, muitas vezes relacionadas a experiências da infância que abarcam sentimentos de:
- Abandono;
- Traumas emocionais;
- Autoestima reduzida;
- Déficits em habilidades sociais e de comunicação;
- Diversos outros fatores.
Frequentemente, a dependência emocional surge como uma estratégia para confrontar sensações de vazio, solidão e inadequação.
Nesse cenário, os indivíduos buscam refúgio em relacionamentos, visualizando-os como fonte de preenchimento emocional. Isso ocorre porque a pessoa em questão não acredita em sua capacidade de encontrar plenitude em si mesma.
Impacto da infância e das relações parentais
A psicanálise sustenta que tudo que ocorre nos primeiros anos de vida desempenha um papel decisivo na formação da personalidade de um indivíduo.
Donald Winnicott, um proeminente psicanalista britânico e médico pediatra (1896 – 1971), afirmava que
“no começo, éramos, em todos os aspectos, dependentes, e quando digo todos, quero dizer absolutamente todos.”
Em outras palavras, o bebê não sobrevive sem a presença de um adulto, preferencialmente alguém que o ame suficientemente, tanto do ponto de vista fisiológico quanto, possivelmente, mais crucialmente, do ponto de vista psicológico.
Este mesmo especialista, que se concentrou na dinâmica mãe-bebê, explica que em um estágio particular de desenvolvimento, o bebê deve progredir de um estado denominado fusional com a mãe na psicanálise – no qual o bebê se confunde com a mãe, ainda não percebendo-se como um ser distinto daquele que o alimenta fisicamente e emocionalmente – para outro momento em que o bebê começa a reconhecer o Outro como algo separado de si.
“Esse ponto de transição é descrito como aquele em que a criança supera uma forma narcísica de relação com o objeto, (…) deixando para trás a ideia de dependência, que é tão essencial nas fases iniciais, quando a criança ainda não tem total consciência de que certos elementos não são uma extensão dela, mas que, entretanto, são cruciais para o seu desenvolvimento emocional e autonomia.”
Lembra da menção anterior sobre o amor ter um componente narcísico, isto é, a identificação com o objeto amado devido à semelhança conosco?
Bem, se o bebê não estabelecer essa distinção adequada entre si mesmo e a mãe, como ilustrou Winnicott, isso pode resultar, quando adulto, no desenvolvimento de uma dependência emocional quando se apaixonar.
Intrincado? Sem dúvida, a dependência emocional é um fenômeno extremamente complexo. No entanto, vamos tentar aprofundar um pouco mais.
Por exemplo, embora a psicanálise reconheça que tudo se origina na infância, não podemos garantir que uma infância específica assegurará que alguém não desenvolverá dependência emocional, visto que a formação emocional é um processo intrincado e multifacetado, influenciado por inúmeros fatores.
Ainda assim, certas experiências e condições na infância podem contribuir para o estabelecimento de uma base emocional mais saudável e resiliente, diminuindo a probabilidade de dependência emocional.
Dentre os elementos de uma infância satisfatória, que podem prevenir a dependência emocional e promover uma autonomia emocional mais robusta:
- Relações de apego seguro: sentir que os cuidadores proporcionam uma relação de apego seguro na infância pode fundamentar uma base sólida para o crescimento emocional. Relações seguras geralmente auxiliam a criança a desenvolver confiança, expressar emoções e lidar com o estresse de maneira saudável;
- Empatia e carinho: receber afeto e empatia dos pais e cuidadores ajuda a criança a construir autoestima positiva e compreender suas próprias emoções, bem como as emoções alheias;
- Ambiente estável e previsível: um ambiente familiar estável e previsível pode conferir à criança segurança emocional e auxiliar no desenvolvimento de estratégias para lidar com desafios emocionais. De fato, a previsibilidade é um elemento crucial para uma evolução emocional saudável na criança. Rotina e disciplina são essenciais. Surpresas e desorganização no ambiente, horários, etc., causam ansiedade e geram inquietação;
- Estímulo à independência: permitir que a criança explore e desenvolva habilidades de forma independente, com orientação e apoio dos cuidadores, contribui para uma autonomia emocional mais sólida;
- Incentivo à expressão emocional: encorajar a criança a expressar suas emoções de maneira saudável e apropriada, sem julgamento ou repressão, contribui para o desenvolvimento de habilidades de comunicação emocional. Nada de reprimir o choro, por exemplo;
- Resolução positiva de conflitos: observar e aprender com a resolução saudável de conflitos entre os cuidadores pode ensinar à criança habilidades valiosas para lidar com desentendimentos e questões emocionais no futuro. Não faça por ela. Deixe-a errar sem medo de tentar. Depois, ensine-a. Elogie quando completar pequenas tarefas com sucesso;
- Habilidades de autorregulação: aprender habilidades para regular as próprias emoções, como identificar sentimentos e encontrar maneiras saudáveis de lidar com o estresse, é fundamental para construir independência emocional. Estimule-a a expressar seus sentimentos sem medo!
Dependência emocional na vida adulta
Características de uma pessoa com dependência emocional:
- Necessidade constante de aprovação e validação: indivíduos dependentes emocionais buscam incessantemente a aprovação de seus parceiros ou daqueles dos quais são emocionalmente dependentes, priorizando as necessidades desses indivíduos em detrimento das suas próprias;
- Medo intenso de abandono: um receio acentuado de perder o relacionamento é uma característica marcante, frequentemente levando a comportamentos controladores e possessivos;
- Autoestima baixa: pessoas dependentes emocionais tendem a sentir-se inadequadas e com baixa autovalorização, alimentando a necessidade de se vincularem a alguém;
- Abandono de interesses e necessidades pessoais: com o intuito de agradar o outro, indivíduos dependentes emocionais podem sacrificar seus próprios interesses e necessidades, perdendo sua identidade;
- Ciúmes excessivos: a insegurança pode gerar ciúmes e desconfiança, deteriorando ainda mais o relacionamento;
- Dificuldade em tomar decisões: pessoas dependentes emocionais podem evitar tomar decisões por si próprias e procurar constantemente a opinião e orientação do parceiro;
- Anulação pessoal: aqueles que são dependentes emocionais priorizam as necessidades do outro, muitas vezes ignorando suas próprias vontades e sentimentos.
Outros possíveis sinais ou sintomas:
- Necessidade de pertencimento: o temor à solidão e a ânsia por pertencer a um grupo podem conduzir à dependência emocional, em busca de aceitação e conexão com os outros;
- Carência de autonomia emocional: indivíduos com dificuldades em lidar com suas próprias emoções podem procurar nos outros um tipo de apoio emocional para auxiliar na gestão de seus sentimentos;
- Idealização excessiva do parceiro(a): colocar o(a) parceiro(a) num pedestal e idealizá-lo(a) pode levar à dependência emocional, onde a pessoa dependente atribui ao outro a capacidade de satisfazer todas as suas necessidades emocionais;
- Medo de abandono: o receio intenso de ser deixado(a) ou rejeitado(a) pode resultar na busca constante por aprovação e validação, a fim de evitar essa sensação de abandono;
- Codependência: indivíduos propensos à codependência tendem a entrar em relacionamentos caracterizados por um padrão disfuncional de dependência mútua;
- Histórico de relacionamentos disfuncionais: experiências anteriores em relacionamentos tóxicos ou abusivos podem gerar padrões que se repetem em futuros relacionamentos;
- Dificuldade em lidar com a solidão: a incapacidade de se sentir confortável estando sozinho(a) pode resultar em uma dependência excessiva de relações interpessoais;
- Crenças e valores pessoais: algumas crenças e valores individuais podem contribuir para a dependência emocional, como a ideia de não ser digno(a) de amor ou a crença de que a felicidade exige a presença de outra pessoa.
A dependência emocional pode culminar em relacionamentos disfuncionais e tóxicos, nos quais a dinâmica do casal, por exemplo, se baseia em desequilíbrio de poder, manipulação e até mesmo abuso emocional.
Além disso, a pessoa dependente pode experimentar ansiedade, depressão e outras dificuldades emocionais em decorrência do relacionamento insalubre.
ALERTA 1: Pode a dependência emocional evoluir para outros tipos de dependência?
Sim, é possível.
Como já mencionado, a dependência emocional é um padrão comportamental que se manifesta nas relações interpessoais, em que o indivíduo busca continuamente aprovação, validação e segurança emocional dos outros, relegando suas próprias necessidades e bem-estar para segundo plano.
Este padrão de comportamento pode ser transferido para outras áreas da vida, originando diversas formas de dependência:
- Dependência química: em certos casos, a pessoa pode recorrer a substâncias químicas como álcool ou outras drogas para enfrentar suas emoções e preencher um vazio emocional. Isso pode evoluir para automedicação como uma fuga das emoções desconfortáveis;
- Dependência de relacionamentos: além da dependência emocional em relacionamentos amorosos, a pessoa pode buscar constantemente relacionamentos para evitar a solidão e obter validação emocional. Isso pode se traduzir em um padrão de entrar e sair de relacionamentos que não têm sucesso;
- Dependência do trabalho: a pessoa pode se tornar excessivamente dependente do trabalho para sentir-se valorizada e evitar lidar com suas emoções ou questões pessoais. Isso resulta em um padrão de comportamento workaholic, onde se acredita que apenas no ambiente profissional se tem valor;
- Dependência de comportamentos compulsivos: dependência de comportamentos compulsivos, como compras desenfreadas, jogos de azar ou alimentação compulsiva, pode emergir como uma maneira de lidar com emoções difíceis;
- Dependência de redes sociais: pode-se desenvolver uma excessiva dependência de redes sociais para obter validação e atenção de outros, constantemente buscando aprovação por meio de curtidas e comentários.
ALERTA 2: Existe uma relação entre dependência emocional e casos de feminicídio?
Sim, existe uma relação entre dependência emocional e casos de feminicídio, embora seja crucial enfatizar que a dependência emocional não é a única causa de feminicídio.
O feminicídio abrange o assassinato de mulheres por motivos relacionados ao gênero e pode estar ligado a diversos fatores sociais, culturais, estruturais e psicológicos.
Entretanto, a dependência emocional pode contribuir para situações de risco para mulheres em relacionamentos abusivos e violentos.
Alguns pontos de conexão entre dependência emocional e feminicídio incluem:
- Relações abusivas: indivíduos dependentes emocionais podem estar mais propensos a permanecer em relacionamentos abusivos que envolvem violência doméstica (violência física, psicológica, financeira) e controle emocional;
- Autoestima reduzida: a dependência emocional frequentemente está associada a uma autoestima baixa, levando mulheres a tolerar abusos e aceitar tratamentos inadequados;
- Receio de abandonar o relacionamento: mulheres dependentes emocionais podem experimentar medo de deixar um relacionamento abusivo devido ao temor da solidão, rejeição ou de não serem capazes de sobreviver sem o parceiro;
- Manipulação e controle: relacionamentos abusivos frequentemente envolvem manipulação e controle emocional, reforçando a dependência emocional da vítima em relação ao agressor;
- Isolamento social: em alguns casos, agressores podem tentar isolar a vítima de apoio social, tornando-a ainda mais dependente emocionalmente e limitando suas opções para buscar ajuda.
Como se livrar da dependência emocional?

Foto: Renata Angerami – istock
O caminho rumo à superação da dependência emocional é desafiador, porém possível.
A busca por auxílio profissional, como a psicanálise para dependência emocional, desempenha um papel crucial para compreender as causas inconscientes e forjar estratégias que conduzam a relacionamentos mais saudáveis e equilibrados.
Como resultado do tratamento, o indivíduo pode cultivar sua autoestima, resultando em maior autoconfiança. Ele pode desenvolver habilidades de comunicação mais assertivas e estabelecer limites saudáveis, discernindo claramente entre sua própria identidade e a dos outros.
É uma jornada em que percebe que não depende do outro para sua sobrevivência, um processo que possivelmente não foi suficientemente fomentado durante sua infância.
Como lidar com a dependência emocional familiar
É viável empreender esforços para fomentar relações mais saudáveis e equilibradas no âmbito familiar. Abaixo estão algumas estratégias a considerar:
- Reconheça a dependência emocional: o ponto de partida é admitir a existência de dependência emocional dentro do círculo familiar. Identificar padrões comportamentais e dinâmicas relacionais que podem estar alimentando tal dependência é crucial para iniciar o processo de transformação;
- Busque autoconhecimento: explore suas próprias emoções e necessidades em relação aos membros da família. Adquirir um entendimento profundo de si mesmo(a) pode auxiliar na identificação das raízes da dependência emocional e nos fatores que a desencadeiam. Nesse contexto, a psicanálise para dependência emocional pode ser uma ferramenta valiosa;
- Defina limites saudáveis: aprenda a estabelecer limites claros e a respeitar os limites dos outros integrantes da família. Essa prática contribuirá para evitar comportamentos codependentes e incentivar relações mais equilibradas;
- Pratique a comunicação aberta: a comunicação desempenha um papel crucial na abordagem da dependência emocional no âmbito familiar. Expressar sentimentos e preocupações de maneira franca e sincera com os membros da família, ao mesmo tempo em que se mostra disposto(a) a ouvir o que eles têm a dizer, é fundamental;
- Nutra interesses e conexões fora da família: esforce-se para desenvolver atividades e relações fora do contexto familiar, o que fortalecerá sua independência emocional. Ter uma rede de apoio social fora da família pode ser benéfico para reduzir a dependência excessiva;
- Priorize o autocuidado: coloque o seu bem-estar emocional e físico no topo das prioridades. Reserve momentos para atividades que lhe proporcionem satisfação e relaxamento, cuidando de si de maneira saudável;
- Afaste a culpa e o autorrepreendimento: tenha em mente que a dependência emocional pode ser um padrão aprendido e nem sempre é simples de superar. Evite culpar-se por essa situação e esteja disposto(a) a buscar auxílio e apoio quando necessário;
- Estabeleça metas realistas: a modificação de padrões familiares pode requerer tempo e paciência. Trace objetivos realistas e esteja preparado(a) para progredir gradualmente em direção a eles;
- Exercite a autocompaixão: reconheça que lidar com a dependência emocional no âmbito familiar é um processo desafiador. Pratique a gentileza consigo mesmo(a) e compreenda que a mudança exige um esforço contínuo e autocompaixão.
Amor ou dependência emocional? Como vencer a dependência emocional no relacionamento
Libertar-se da dependência emocional em um relacionamento amoroso demanda empenho, autoconhecimento e autodisciplina.
É um processo que implica trabalhar internamente para estabelecer uma relação mais saudável e equilibrada com o parceiro(a).
Algumas táticas que podem auxiliar na superação da dependência emocional num relacionamento possuem semelhanças com as estratégias aplicadas à dependência emocional familiar. Afinal, estamos tratando essencialmente do mesmo tema: amor e dependência.
- Reconheça a dependência emocional: o primeiro passo é admitir a existência de dependência emocional na relação. Esteja disposto(a) a examinar suas emoções e comportamentos com sinceridade, identificando quais aspectos estão contribuindo para essa dependência;
- Cultive o autoconhecimento: explore suas necessidades emocionais e sondar suas inseguranças e receios em relação ao relacionamento. O autoconhecimento é essencial para entender as motivações subjacentes à dependência emocional;
- Defina limites saudáveis: Aprenda a estabelecer limites claros e respeitar os limites do parceiro(a). Isso auxiliará a evitar comportamentos codependentes e a fomentar um relacionamento mais equilibrado;
- Busque apoio externo: procure auxílio profissional para discutir suas emoções e inseguranças relacionadas ao relacionamento. Obter uma perspectiva externa pode ser valioso para aprofundar a compreensão das suas dinâmicas emocionais;
- Priorize seu crescimento pessoal: dedique tempo ao desenvolvimento de interesses e hobbies individuais, independentemente do relacionamento. Concentre-se na sua evolução pessoal e trabalhe na construção da autoestima e autoconfiança;
- Pratique a comunicação aberta: aprenda a comunicar suas necessidades e preocupações de forma clara e respeitosa. A comunicação transparente é fundamental para construir um relacionamento saudável e diminuir a dependência emocional;
- Reavalie o significado do amor: reflita sobre o verdadeiro significado de amar alguém. Lembre-se de que o amor não deve ser sufocante ou controlador, mas sim uma relação baseada em apoio e respeito mútuo;
- Conceda espaço ao parceiro(a): permita que o parceiro(a) mantenha sua independência e espaço pessoal, e faça o mesmo por você. Respeitar a individualidade de ambos é essencial, evitando depender exclusivamente do relacionamento para a sua felicidade;
- Aprenda com o passado: identifique padrões anteriores que possam ter contribuído para a dependência emocional e esforce-se para evitar repeti-los no relacionamento atual e nos futuros;
- Pratique a paciência consigo mesmo(a): alterar padrões emocionais e comportamentais requer tempo e dedicação. Seja gentil consigo mesmo(a) e esteja aberto(a) para aprender com os desafios ao longo do percurso.
Filmes e livros sobre dependência emocional

Foto: Divulgação – UOL
Segue abaixo uma lista de filmes e livros que exploram diversos aspectos da dependência emocional e como ela pode afetar as relações e a vida das pessoas envolvidas.
É importante lembrar que a dependência emocional é um tema complexo e que o cinema e a literatura, embora abordem essa temática, oferecem uma representação ficcional da realidade.
Filmes (alguns baseados em livros)
- 500 Dias com Ela (2009) – o filme retrata um jovem romântico que se apaixona por uma mulher cética em relação ao amor. A narrativa aborda a dependência emocional e como expectativas irreais podem afetar um relacionamento;
- O Lado Bom da Vida (2012) – o filme segue a jornada de um homem com problemas psicológicos, interpretado por Bradley Cooper, e uma jovem viúva, papel de Jennifer Lawrence (vencedora do Oscar de Melhor Atriz), enquanto enfrentam suas próprias dependências emocionais ao tentar reconstruir suas vidas;
- Ele Não Está Tão a Fim de Você (2009) – o filme apresenta histórias entrelaçadas que exploram as complexidades das relações amorosas modernas, incluindo a dependência emocional e como as pessoas lidam com a rejeição e o término de relacionamentos;
- Garota Exemplar (2014) – o filme é uma adaptação do livro de Gillian Flynn e retrata a dinâmica tóxica de um casamento, evidenciando como a dependência emocional pode levar a situações extremas e perturbadoras;
- Azul é a Cor Mais Quente (2013) – o filme francês mais premiado de 2013 narra o intenso relacionamento entre duas jovens mulheres. Ao longo do filme, temas como dependência emocional, paixão e autodescoberta são explorados.
Livros (alguns adaptados para o cinema)
- A Insustentável Leveza do Ser (1984) – este clássico romance do autor tcheco Milan Kundera explora os relacionamentos de quatro personagens principais durante a Revolução de Praga em 1968. Temas como amor, liberdade, traição e a dependência emocional que os personagens desenvolvem uns pelos outros estão presentes neste envolvente livro;
- O Amante (1984) – escrito por Marguerite Duras, este livro é uma autobiografia romanceada que narra o envolvimento de uma adolescente com um homem chinês mais velho na Saigon colonial. Além da dependência emocional, a obra da renomada novelista, roteirista, poetisa, diretora de cinema e dramaturga francesa, uma das principais vozes femininas da literatura do século XX, aborda temas como amor proibido e a luta contra as convenções sociais;
- A Estrada da Noite (2006) – escrito por Joe Hill, autor estadunidense de terror, suspense e fantasia sombria, filho do aclamado mestre do gênero, Stephen King, este romance de terror psicológico conta a história de Judas Coyne, uma estrela do rock aposentada que adquire uma jaqueta em um leilão on-line que supostamente vem com um fantasma preso a ela. O livro aborda perda, solidão e, claro, a dependência emocional de Judas pelo mundo sobrenatural;
- Norwegian Wood (1987) – escrito pelo autor japonês Haruki Murakami, o romance se passa na Tóquio dos anos 1960 e narra a história de um estudante universitário, Toru Watanabe, e suas relações complexas com duas mulheres, Naoko e Midori. O livro empresta o nome da canção dos Beatles, Norwegian Wood, a preferida de uma das protagonistas, e aborda amor, luto, solidão e a dependência emocional que pode emergir nos relacionamentos;
- Garota, Interrompida (1993) – escrito por Susanna Kaysen, este é um livro de memórias que relata a experiência da autora em uma instituição psiquiátrica quando adolescente. A obra aborda temas como saúde mental, dependência emocional e a busca pela identidade própria em um ambiente opressivo. Foi transformado em um filme de sucesso em 1999, com um elenco de estrelas como Winona Ryder e Angelina Jolie, entre outras.
Psicanálise e dependência emocional: como pode ajudar?

Foto: Renata Angerami – istock
A psicanálise se apresenta como uma abordagem terapêutica valiosa para auxiliar pessoas que enfrentam a dependência emocional.
Inicialmente desenvolvida por Sigmund Freud e posteriormente enriquecida por outros psicanalistas notáveis como Jacques Lacan, Winnicott e Melanie Klein, a psicanálise se propõe a compreender os processos inconscientes que moldam o comportamento, os pensamentos e as emoções de um indivíduo.
Funcionando como uma ferramenta, a psicanálise para dependência emocional transforma o conflito que habita no Inconsciente – inacessível, inassimilável, inelaborado – em algo consciente e, por consequência, passível de ser enfrentado, compreendido, integrado e trabalhado.
No contexto da dependência emocional, padrões e dinâmicas inconscientes podem estar alimentando tal condição, e o propósito da psicanálise é trazer esses elementos à superfície, permitindo uma metamorfose e uma percepção mais profunda do indivíduo.
Além disso, a psicanálise pode contribuir para:
- Autoconhecimento: por meio da exploração do inconsciente, a pessoa pode compreender os padrões e comportamentos emocionais que podem estar conduzindo à dependência;
- Identificação de padrões e traumas: através da análise de experiências passadas, traumas e relações significativas, o psicanalista pode ajudar o indivíduo a identificar padrões repetitivos e traumas não resolvidos que possam estar contribuindo para a dependência emocional;
- Compreensão das motivações inconscientes: a psicanálise para dependência emocional busca discernir as motivações e desejos inconscientes que influenciam o comportamento, incluindo aqueles ligados à dependência emocional. Ao trazer à luz esses aspectos, a pessoa pode encontrar maneiras mais saudáveis de lidar com emoções e relacionamentos;
- Desenvolvimento de recursos emocionais: a terapia psicanalítica pode auxiliar no desenvolvimento de recursos emocionais para lidar com a dependência, tais como construção de autoestima, habilidade para estabelecer limites saudáveis e aprimoramento das competências de comunicação;
- Aceitação e acolhimento: a psicanálise para dependência emocional oferece um espaço seguro e acolhedor para a exploração de sentimentos, medos e conflitos, livre de julgamentos. Essa aceitação incondicional assume papel fundamental na transformação emocional;
- Trabalho com o vínculo terapêutico: o vínculo entre paciente e terapeuta constitui parte essencial do processo psicanalítico. Ao vivenciar uma relação terapêutica saudável e empática, o indivíduo pode assimilar padrões de relacionamento mais positivos, que podem ser extrapolados para outras esferas da vida.
É crucial reconhecer que a psicanálise para dependência emocional demanda um processo terapêutico abrangente, que exige tempo, dedicação e comprometimento tanto do paciente quanto do terapeuta.
Cada jornada é única, e, portanto, os resultados podem variar conforme as características e necessidades individuais. Se você se identifica como alguém que lida com a dependência emocional,
[EXTRA] 10 dicas valiosas para ter autonomia emocional
O processo se inicia ao reconhecer e aceitar a existência de um problema de dependência emocional. Abrir-se para confrontar os padrões de comportamento e emoções que têm contribuído para essa dependência é fundamental. Veja 10 dicas valiosas:
- Trabalhe na construção de uma autoestima saudável. Aumentar a autoconfiança é essencial para reduzir a dependência emocional. Isso envolve aprender a valorizar-se, reconhecer suas qualidades e habilidades, acreditar em si mesmo(a) e em suas capacidades;
- Aprender a estabelecer e respeitar limites é crucial para evitar a dependência excessiva dos outros. Isso requer a habilidade de dizer não quando necessário e respeitar o espaço pessoal e emocional de todos, inclusive o seu próprio;
- Busque relacionamentos equilibrados e saudáveis, onde exista reciprocidade emocional e respeito mútuo;
- Lidar com as emoções de forma autônoma e confiante, sem depender constantemente da validação e aprovação dos outros, é um aspecto essencial para superar a dependência emocional;
- Identificar padrões do passado que contribuíram para a dependência emocional pode ajudar a evitar armadilhas similares no futuro;
- Perdoe a si mesmo(a), pois a mudança de padrões emocionais e comportamentais demanda tempo e esforço, e podem ocorrer retrocessos ao longo do caminho. Pratique a autocompaixão e compreenda que o processo pode ser desafiador;
- Evite idealizar excessivamente. Lembre-se de que ninguém é perfeito. Todos têm falhas e imperfeições. Evite colocar seu parceiro(a) em um pedestal;
- Aprenda a lidar com a solidão. Não tema passar algum tempo sozinho(a) e desenvolva a habilidade de apreciar sua própria companhia;
- Concentre-se no presente. Evite excessivas preocupações com o futuro do relacionamento ou ruminação sobre o passado. Foco no momento atual e no que você pode fazer para melhorar o relacionamento agora;
- Por último, lembre-se: diminuir a dependência emocional é um processo gradual que demanda esforço contínuo. Mesmo que você busque conhecimento através da leitura, filmes, conversas com amigos e siga as dicas aqui, é praticamente impossível enfrentar esse desafio sozinho.
Caso enfrente dificuldades para lidar com a dependência emocional, considere procurar ajuda profissional, como a psicanálise. Essa pode ser uma opção valiosa para seu crescimento pessoal e para estabelecer relacionamentos mais saudáveis e equilibrados no futuro.
Agende uma sessão de Psicanálise!
Terapeutas Guia da Alma estão te esperando 🙂