Precisamos falar sobre Consciência Negra e Saúde!

Expanda sua consciência e percepção.
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Mais terapias de Marisilda Brochado
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Olá, eu sou a Marisilda Brochado. Enfermeira obstétrica há quase 40 anos e terapeuta holística há mais de 20 anos. Hoje vou falar sobre um tema muito importante: a consciência negra dentro da saúde e consciência holística. Vou falar aqui sobre o contexto do Brasil, as estatísticas e os trabalhos que venho desenvolvendo para ajudar esta causa.


 

Antes de tudo, um texto de reflexão para você se conectar com o tema:

Câncer e racismo – um sinônimo de amor.
Quanto mais silencioso, mais avassalador.
Pensa: “Como são essas pessoas no interior…”
Parecem felizes, talvez não sintam dor.
Você nunca reparou como por dentro é letal?
Um ônibus no Jardins, um elevador comercial
Entrar em um banco adaptado por Personalité
E o gerente da sua conta, não saber quem é você
Deveras se sentir como um palhaço ou bruxo
Quando não é atendido em uma loja de luxo
E não chega a ser porque não sou bom pra sua filha
É que meu sogro só não quer escurecer mais a família
E se hoje você pudesse escolher, como seria?
Bem antes de nascer, qual cor você teria?
E se fosse você desse lado da cor?
Mudaria algo em teu interior?
Ou mudaria o exterior?
Desse lado da cor?

Autora desconhecida

 

20 de Novembro: Dia da Consciência Negra

Foto: Jen Armstrong

Quero iniciar agradecendo o convite do Guia da Alma, para escrever e discutir, principalmente, com os terapeutas holísticos, a respeito do acesso da população preta, aos seus atendimentos, bem como, da presença de profissionais pretos neste nicho de atuação.

Confesso que em principio questionei o convite para falar sobre o mês da Consciência Negra, até por considerar que uma publicação nesta data especifica, não é o suficiente para a sensibilização, que consideramos necessária.

Solicitei um encontro para um café com a cofundadora Liana, a fim de entender melhor o objetivo da proposta. Ficou claro para mim que o Guia da Alma está empenhado em cumprir sua missão, levando a informação e as terapias integrativas e práticas complementares a todas as pessoas.

Temos o entendimento do quanto este tema é polêmico e, muitas vezes, abandonado, por ser complexo e requerer desconstrução de valores e mudança de comportamentos que estão estabelecidos há séculos, e se perpetuando de geração em geração.

Para analisar qual seria o melhor caminho para abordar este tema, pesquisei assistindo vídeos, lendo artigos, livros e conversando com especialistas. Intui então, que o melhor caminho é, primeiramente, retomar um pouco da história do Brasil e da construção da Politica Nacional de Saúde Integral da População Negra, através da luta da população negra pela cidadania.

Em seguida, vou mostrar alguns dados estatísticos de saúde da população negra no Brasil. E finalizo compartilhando alguns projetos, que realizo para aumentar a abrangência das práticas integrativas, atendimentos e cursos holísticos que realizo às pessoas pretas e pardas.

 

História da População Negra no Brasil e a Luta pela Cidadania

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Foto: Agung Wiguna

Nossa história, que foi construída sobre as bases da desigualdade, reservou para a população negra o lugar das classes sociais mais pobres e de condições mais precárias. Apesar da abolição oficial da escravatura dos povos africanos e seus descendentes, não há como negar que persiste ainda hoje, na nossa sociedade, um racismo silencioso e não declarado.

O desenvolvimento da sociedade colonial e o processo de objetificação dos milhões de negros escravizados, trazidos do continente africano nos porões dos navios negreiros, marcaram um período longo da história brasileira. A despeito das péssimas condições de vida e trabalho e das diversas formas de violência às quais foram submetidos, episódios de resistência e luta foram as bases para a formação de quilombos.

Os quilombos, a princípio comunidades autônomas de escravos fugitivos, converteram-se em importante opção de organização social da população negra e espaço de resgate de sua humanidade e cultura e fortalecimento da solidariedade e da democracia, onde negros se constituíam e se constituem até hoje como sujeitos de sua própria história.

Após a abolição oficial da escravatura, foram muitos os anos de luta envolvendo denúncias sobre a fragilidade do modelo brasileiro de democracia racial, até a fundação da Frente Negra Brasileira, em 1931. A partir de então, as questões e demandas de classe e raça ganharam projeção na arena política brasileira, fortalecidas, posteriormente, pelo Movimento Social Negro, que atua organizadamente desde a década de 1970.

Entre as décadas de 1930 e 1980, eclodiram no mundo inúmeros movimentos sociais que manifestaram aos chefes de Estado a insatisfação dos negros em relação à sua qualidade de vida. Assumiram proeminência a luta dos negros dos Estados Unidos contra as regras de segregação racial vigentes naquele país e a dos negros sul-africanos contra o sistema do apartheid.

No Brasil, a 8.ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1986, constituiu um marco na luta por condições dignas de saúde para a população, uma vez que fechou questão em torno da saúde como direito universal de cidadania e dever do Estado. Na conferência, o Movimento Social Negro participou ativamente, ao lado de outros movimentos, em especial o Movimento pela Reforma Sanitária, do processo de elaboração e aprovação das propostas.

Como principal desdobramento da conferência e conquista fundamental dos movimentos sociais, a Assembléia Nacional Constituinte introduziu o sistema de seguridade social na Constituição Federal de 1988, do qual a saúde passou a fazer parte como direito universal, independentemente de cor, raça, religião, local de moradia e orientação sexual, a ser provido pelo SUS (BRASIL, 1988, art. 194).

Ainda nesse período, o movimento de mulheres negras conferiu maior visibilidade às questões específicas de saúde da mulher negra, sobretudo aquelas relacionadas à saúde sexual e reprodutiva. O racismo e o sexismo imprimem marcas segregadoras diferenciadas, que implicam restrições específicas dos direitos desse segmento, vitimando-o, portanto, com um duplo preconceito.

As primeiras inserções do tema Saúde da População Negra nas ações governamentais, no âmbito estadual e municipal, ocorreram na década de 1980 e foram formuladas por ativistas do Movimento Social Negro e pesquisadores.

Na década de 1990, o governo federal passou a se ocupar do tema, em atenção às reivindicações da Marcha Zumbi dos Palmares, realizada em 20 de novembro de 1995, o que resultou na criação do Grupo de Trabalho Interministerial para Valorização da População Negra/ GTI e do Subgrupo Saúde.

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Zumbi dos Palmares e Marcha realizada em 1955

Em abril do ano seguinte, o GTI organizou a Mesa Redonda sobre Saúde da População Negra, cujos principais resultados foram: a) a introdução do quesito cor nos sistemas de informação de mortalidade e de nascidos vivos; b) a elaboração da Resolução 196/ 96, que introduziu, dentre outros, o recorte racial em toda e qualquer pesquisa envolvendo seres humanos; e c) a recomendação de implantação de uma política nacional de atenção às pessoas com anemia falciforme.

No cenário internacional, em 2001, a Conferência Intergovernamental Regional das Américas, no Chile, e a III Conferência Mundial de Combate ao Racismo, marcaram a participação do Movimento Social Negro junto a governos e organismos internacionais, reivindicando compromissos mais efetivos com a equidade étnico-racial.

A atuação do Movimento Social Negro brasileiro na 11.ª e na 12.ª Conferências Nacionais de Saúde, realizadas respectivamente em 2000 e 2003, fortaleceu e ampliou sua participação social nas instâncias do SUS. Como resultado dessa atuação articulada, foram aprovadas propostas para o estabelecimento de padrões de equidade étnico-racial e de gênero na política de saúde do país.

A criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), pela Lei n.º 10.678, de 23 de março de 2003, como órgão de assessoramento direto da Presidência da República, com status de ministério, representa uma conquista emblemática do Movimento Social Negro.

A SEPPIR tem como atribuição institucional promover a igualdade e a proteção dos direitos de indivíduos e grupos raciais e étnicos, por meio do acompanhamento e coordenação das políticas de diferentes ministérios, dentre os quais o da Saúde, e outros órgãos do governo brasileiro (Brasil, 2003).

Foto: Christina Morillo

Em 18 de agosto de 2004, no encerramento do I Seminário Nacional de Saúde da População Negra, foi assinado Termo de Compromisso entre a SEPPIR e o MS, referenciado nas formulações advindas de ativistas e pesquisadores negros, contidas no documento Política nacional de saúde da população negra: uma questão de eqüidade (PNUD et al, 2001).

Ainda em agosto de 2004, considerando o interesse em subsidiar a promoção da equidade e com vistas a cumprir o acordo feito por ocasião da assinatura do já referido termo de compromisso, no que diz respeito à promoção da igualdade racial no âmbito do SUS, o MS instituiu o CTSPN, por meio da Portaria n.° 1.678, de 16 de agosto de 2004 (BRASIL, 2004).

O comitê é coordenado pela SGEP e composto por representantes de diversas áreas técnicas do MS, da SEPPIR, pesquisadores e ativistas da luta anti-racista na área da saúde da população negra. Seu funcionamento é regido pela Portaria n.° 2.632, de 15 de dezembro de 2004, e dentre as suas realizações destacam-se as contribuições para a construção desta Política (BRASIL, 2004).

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Foto: Nappy

Os anos de 2005 e 2006 foram especialmente marcados por seminários, encontros, reuniões técnicas e políticas, que culminaram com a aprovação desta Política pelo Conselho Nacional de Saúde, em 10 de novembro de 2006. Merece destaque ainda a realização do II Seminário Nacional de Saúde da População Negra, marcado pelo reconhecimento oficial do MS da existência do racismo institucional nas instâncias do SUS.

Todos estes dados foram retirados do livro “Política Nacional de Saúde Integral da População Negra” (2007), criado pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR, Ministério da Saúde e Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Você pode ter acesso ao material completo neste link!

 

Dados estatísticos: Por que é tão urgente o olhar sobre a saúde da população negra no Brasil?

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Relaciono a seguir alguns dados estatísticos, que considero relevantes para contextualizar e elucidar a urgência de ações afirmativas, para a população negra.

  • O Brasil é o segundo país com a maior população negra no mundo, ficando atrás somente da Nigéria. Segundo o IBGE o censo demográfico de 2010 constatou que a maioria da população é negra ou parda (54%);
  • Nos últimos 10 anos os números de assassinatos caíram 8% entre mulheres brancas. E aumentaram 15,4% entre as negras;
  • Sobre representatividade na mídia, em 2015, apenas 1% das mulheres em comerciais eram negras. Em 2016 13% e em 2017 21%. Entre homens, 87% dos protagonistas são brancos;
  • Hoje a ONU possui uma campanha de combate a morte das juventudes negras no Brasil, pois sete a cada dez pessoas assassinadas são negras;
  • Segundo pesquisa realizada pela SEPPIR e pelo Senado Federal, 56% da população brasileira concorda com a afirmação de que “a morte violenta de um jovem negro choca menos a sociedade do que a morte de um jovem branco”. O dado revela como os brasileiros tem sido indiferentes a um problema que deveria ser de todos.
  • Das 4.222 pessoas mortas em decorrência de intervenção policial, 76,2% eram negras;
  • Apenas 12,8% dos estudantes de ensino superior são negros, enquanto nos presídios negros representam 64% da população carcerária. Porque um negro buscando um diploma incomoda mais do que um numa prisão?
  • Mulheres negras grávidas morrem duas vezes mais, de causa maternas que as mulheres brancas e são mais atingidas pela violência obstétrica (65,4%);
  • Crianças negras morrem mais por doenças infantis que as crianças brancas;
  • Quase 80% da população que usa o SUS se autodeclara negra.
  • O constante preconceito contra as populações negras gera diversos transtornos relacionados a autoafirmação, autoestima, entre outros.

 

No Brasil existe o mito da democracia racial: somos todos iguais?

Este discurso, além de alienar, nos impede de reconhecer o erro. Se eu não consigo diagnosticar que vivemos em um país racista, como iremos tratar isso? Se não reconhecemos a doença, como buscaremos a cura?

Racismo não é assunto que só diz respeito à pessoas negras. Precisamos falar sobre, para que não haja mais a naturalização desses dados.

“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.”

Martin Luther King

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Martin Luther King

O direito à saúde é fundamento constitucional e condição substantiva para o exercício pleno da cidadania. É eixo estratégico para a superação do racismo e garantia de promoção da igualdade racial, desenvolvimento e fortalecimento da democracia.

 

Como eu tenho mudado esta realidade?

Você deve estar se perguntando: o que eu posso fazer para mudar esta situação?

Listo abaixo alguns programas que eu tenho realizado e deixo como exemplo, pois todos podem fazer também. Basta uma ampliação da visão de que existem pessoas que não estão sendo contempladas com as terapias holísticas e a mudança interior e exterior.

• Programa Reiki Master – Curso completo de Reiki com bolsa de estudos para a população negra.

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Programas: Reiki para Gestantes e Reiki Master

• Circulo de Mulheres Espirais de Oya – Grupo de estudos da Sacralidade Feminina, através do livro “Mulheres que correm com os Lobos”, de Clarissa Pinkola Estés. Priorizei a representatividade da mulher negra e o resgate da mitologia afro-brasileira.

• Envio gratuito de Reiki à distância para Gestantes

• Participação no Simpósio Internacional de Parto Humanizado em 2018 e 2019, com stand de acolhimento das profissionais de saúde pretas e divulgação da cultura afro-brasileira, através da estética, de interação, venda de artesanato afro-brasileiro e lançamento de livros.

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Comunicado: O Guia da Alma tem como missão: “Conectar pessoas para despertar a evolução da consciência individual e coletiva, contribuindo para uma sociedade mais saudável, amorosa e alinhada com seu propósito. Divulgar com cosmoética o conhecimento espiritual através do mundo digital”.

Por isso, apoiamos esta causa e queremos que cada vez mais pessoas tenham acesso aos benefícios das terapias holísticas e práticas integrativas; tenham acesso ao autoconhecimento e se permitam olhar para o próximo. Apoiamos a preservação da cultura e o resgate da espiritualidade ancestral.

Que possamos expandir nossa consciência para atingirmos a igualdade racial! O que você está fazendo ou pensa em fazer para levar os benefícios das práticas holísticas até mais pessoas? Compartilhe!

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